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Alouatta guariba (Humboldt, 1812) - Bugio-ruivo

Macho degustando de coquinhos.
Data: 03/07/2016.
     O bugio é um primata de porte médio, atingindo de 4 a 7 kg, e que apresenta alto dimorfismo sexual. Os machos são de tom arruivado, com uma grande barba. As fêmeas são de cor castanho-escura, no entanto, fêmeas mais velhas podem assumir um tom acobreado. Sinônimo de Alouatta clamitans, que, na verdade, é atualmente considerado subespécie de Alouatta guariba

Casal adulto (macho à esquerda e fêmea à direita).
Data: 03/07/2016.
     A espécie compõe bandos de um macho e diversas fêmeas, em relacionamento poligâmico. Cada bando tem seu território, o qual defende avidamente. Uma característica interessante destes animais é o osso hióide localizado no pescoço, logo à frente da traqueia. Este osso não se conecta com o esqueleto e é oco, funcionando como um amplificador de voz. Desta forma, o som do bugio (chamado de "ronco") pode ser ouvido há uma grande distância. O ronco é utilizado para comunicação entre membros do bando, para atrair fêmeas e para disputar por território e por fêmeas.
     Atingem a maturidade sexual em torno dos quatro ou cinco anos de idade. A fêmea dá à luz a um filhote por vez, raramente nascendo gêmeos. Ao nascer, o filhote agarra-se ao ventre da mãe, onde fica durante alguns meses, nutrindo-se apenas do leite materno. Após, ele passa a agarrar-se nas costas da mãe, e começa a ingerir o que ela come: folhas, alguns invertebrados e frutos. O período reprodutivo é nos meses de inverno e há um intervalo de cerca de dois anos entre uma gestação e outra.

Mãe com filhote muito jovem agarrado ao seu ventre.
Data: 02/07/2016.
Mãe com filhote já mais velho agarrado ao seu dorso.
Data: 02/07/2016.
Filhote já independente.
Data: 03/07/2016.

Macho comendo coquinhos.
Data: 03/07/2016.

     Esta espécie está intimamente ligada com a Mata Atlântica, ocorrendo em áreas bem preservadas desde o centro do Rio Grande do Sul até a Bahia. Em alguns pontos de Porto Alegre, pode aparecer também em zonas urbanas, onde sofre grandes ameaças. Os animais podem ser eletrocutados em fios telefônicos, serem atacados por cães e também por moradores, sofrerem com o tráfico de animais silvestres, com a ingestão de objetos ou de comidas envenenadas e especialmente com atropelamentos nas rodovias, quando são obrigados a caminhar pelo solo para ir de um fragmento de floresta até o outro. 
     A espécie é considerada não-ameaçada no mundo (IUCN, 2017), porém, está em categoria vulnerável no Rio Grande do Sul (FZB, 2014).

Macho sob fios de alta tensão em zona urbana de POA-RS.
Data: 03/07/2016.
FEBRE AMARELA

     É importantíssimo salientar que os macacos são uma das principais vítimas da febre amarela e que NÃO SÃO RESPONSÁVEIS PELA TRANSMISSÃO DA DOENÇA. A febre amarela é causada pelo vírus Flavivirus febricis transmitido por um mosquito infectado, especialmente os do gênero Haemagogus spp e Sabethes spp, mas também sendo transmitido pelo Aedes aegypti. Este vírus tem origem Africana, e não afeta de modo tão avassalador os primatas africanos. No entanto, os primatas das Américas não evoluíram em contato com este vírus, de modo que não apresentam nenhuma defesa imunológica contra ele, o que resulta na morte do indivíduo e na dizimação de populações inteiras. 
     Os primeiros a sofrerem com esta doença são os primatas, que apresentam, entre outros, sintomas de apatia e falta e apetite, seguido de morte. O surgimento de primatas mortos pela doença, é o primeiro e mais importante alerta sobre o início da infestação do vírus, porém, em surtos de febre amarela, é comum a população desinformada sacrificar estes animais por achar que estes são transmissores, resultando em mais uma grande ameaça e perda para a biodiversidade e conservação da espécie.
     Ajude a lutar contra mais esta doença transmitida por mosquitos! Não mantenha reservatórios de água em casa ou entulhos! Cobre de sua prefeitura maior vigilância sanitária e maior fiscalização em pontos prováveis de reprodução de mosquitos! Seja você a diferença!
Autor: desconhecido (essa arte é sua? Me informe!).

Saiba mais sobre o Projeto Macacos Urbanos, que atua em 
Porto Alegre para a preservação da espécie!

Fontes:

Dr. Drauzio Varella. 2017. Febre Amarela. Disponível em: <https://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/febre-amarela/> Acesso em: 31/05/2017.

FZB. 2014. Lista das espécies da fauna silvestre ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul por categoria de ameaça. Disponível em: <http://www.fzb.rs.gov.br/upload/1396361250_lista_categoria.pdf> Acesso em: 31/05/2017.

ICMBIO. Mamíferos - Alouatta guariba guariba - bugio marrom. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7182-mamiferos-alouatta-guariba-guariba-bugio-marrom> Acesso em: 31/05/2017.

IUCN. 2017. Alouatta guariba. Disponível em: <http://www.iucnredlist.org/details/39916/0> Acesso em: 31/05/2017.

Cavia aperea (Preá)

Cavia aperea comendo grama (Rodentia, Caviidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Nativo, o preá é um roedor bastante encontrado nas matas e também em propriedades rurais ou urbanas afastadas. É da mesma família do porquinho-da-índia (Cavia porcellus), caracterizando-se pela pelagem castanha com um círculo de pelos brancos ao redor dos olhos. Mede cerca de 25cm, alimenta-se de plantas (herbívoro).
Cavia aperea (Rodentia, Cavidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Na teia alimentar, é presa de aves rapinantes, serpentes, lagartos, graxains e felídeos selvagens, podendo também virar caça de cães e gatos domésticos (grande ameaça ambiental a qualquer animal silvestre).
Cavia aperea (Rodentia, Caviidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    São animais tímidos, fugindo ao primeiro sinal de movimentação. Porém, com paciência e silêncio, é possível admirá-los em ambiente natural. Abaixo, um vídeo que fiz de um preá que encontrei na Universidade de Passo Fundo.
Cavia aperea comendo grama (Rodentia, Caviidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

Lycalopex gymnocercus (Graxaim-do-campo)

    Sou suspeita para falar, pois tenho um fascínio intenso por esses animais, mas os considero um dos seres mais magníficos de todo o Rio Grande do Sul! 

Casal de Lycalopex gymnocercus (Carnivora, Canidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Parecem raposas (apenas gênero Vulpes, habitam o hemisfério norte do planeta), mas não são cientificamente chamados assim. Há dois tipos de graxains que compõe a fauna canina gaúcha: o do campo e o do mato (Cerdocyon thous). Apesar dos nomes comuns, ambas as espécies são encontradas nos campos e interiores de mata. É fácil diferenciá-los, pois o L. gymnocercus é maior do que o C. thous, com o focinho mais alongado e de cores mais claras, em tons amarelados e castanho claro.
Lycalopex gymnocercus (Carnivora, Canidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Estes animais são onívoros, ou seja, alimentam-se de qualquer coisa. A sua dieta favorita são pequenos roedores, aves, alguns répteis e frutos, especialmente o butiá! Habitam tocas cavadas por eles ou roubadas de tatus. Estas tocas são longas e possuem diversa saídas em pontos mais afastados, para facilitar a fuga caso haja algum predador (como pumas e onças-pintadas). São solitários, vivendo apenas em conjunto  durante a época de reprodução, que é de agosto a dezembro. Como cães, a ninhada é variada, podendo ser de 3 a 5 filhotes. O cuidado parental é feito por ambos os pais: a fêmea permanece na toca, com os filhotes, enquanto que o macho sai para procurar alimento. Em torno de seis meses, a prole já está apta a ser independente, havendo maturação sexual por volta de um ano de vida.

Três Lycalopex gymnocercus (Carnivora, Canidae) em frente à toca
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    São habitantes de regiões de Mata Atlântica e Pampa, estando presentes também no estado de Santa Catarina, no leste da Bolívia e norte da Argentina. Crepusculares, costumam ser visualizados no final da tarde e à noite, mas também saem durante a manhã e a tarde.
    A perda  de habitat devido às ações antrópicas (humanas) nas áreas de pampa e mata atlântica para a criação de lavouras, pecurárias e cidades, reduzem a área de caça e procriação destes animais, que precisam se deslocar muito mais longe de suas tocas para encontrar alimento. A fragmentação das matas, muitas vezes sem um corredor ecológico entre uma e outra, também é um grande problema, pois acaba evitando que os animais de um fragmento misturem-se com animais de outro fragmento, causando uma depressão genética na população (mesmos genes se inter-cruzando entre as gerações, resultando num maior número de deformidades e doenças genéticas).

Lycalopex gymnocercus (Carnivora, Canidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

    Ainda como um grande problema para este e outros animais, há as rodovias. Me dói o coração quando, ao ir pra a universidade, em Passo Fundo, vejo vários deles mortos, atropelados, destroçados, como se fossem nada. É preciso maior consciência por parte dos motoristas, para evitar que ocorram essas fatalidades na nossa fauna (que também podem causar acidentes graves para o próprio motorista). A pressa para chegar em casa e assistir a um jogo de futebol ou novela não deve ser desculpa para atropelar um animal silvestre e deixá-lo à própria sorte na beira da estrada, agonizando enquanto aguarda a morte.  
    Sejamos conscientes. Às vezes, não há como evitar, mas se acabar por atropelar um animal, qualquer que seja, pare e auxilie. 
    Outro fator impactante é a ação de caçadores ilegais. Há regras para a caça no estado, alguns animais são passíveis de caça e outros não. Muitos caçadores se embrenham nas matas e voltam para casa cheios de animais silvestres (muitos em risco de extinção). Um desses animais, muitas vezes, é o graxaim. E se não for, é algum animal que faz parte de sua dieta alimentar. Alguns donos de galináceos e outras aves também acabam por exterminar estes animais, julgando-os culpados pelo sumiço de suas criações.
    Mas, apesar de tudo isso, por enquanto, esta espécie não é considerada em risco de extinção pela Lista Vermelha da IUCN, pois sua população ainda encontra-se estável.

Lycalopex gymnocercus (Carnivora, Canidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Os graxains dessas fotos foram encontrados na parte da manhã, em torno das 11:30h, atrás do prédio de Direito da Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Os relatos são de que estes animais sempre estão por lá e já estão (infelizmente) acostumados à presença humana.

  • REIS, N. R.; PERACCHI, A. L.; FREGONEZI, M. N.; ROSSANEIS, B. K. Guia Ilustrado: Mamíferos do Paraná - Brasil. Pelotas: USEB, 2009.

Tadarida brasiliensis (Morcego)

    Chegou a hora de desmistificar os morcegos! 
    Não, eles não são cegos.
    Não são ratos ou qualquer tipo de roedor. São, simplesmente, morcegos!
    Como qualquer outro animal silvestre, ele pode, sim, transmitir doenças.
   Sim, algumas espécies alimentam-se de sangue (hematófagos), mas apenas os morcegos-vampiros da família Phyllostomidae (temos apenas três espécies nativas das Américas), os quais alimentam-se através de mordidas ou feridas em animais grandes como capivaras, vacas e cavalos. Na verdade, a grande maioria dos morcegos alimenta-se de insetos, frutos e, acredite se quiser, néctar!

Tadarida brasiliensis (Chiroptera, Molossidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    O Tadarida brasiliensis é a espécie mais comum do país. Insetívoro, não representa qualquer mal para o ser humano, a não ser em casos de doenças que podem ser transmitidas por suas fezes (guano). Ele é pequeno, cabe na palma da mão. Sua característica principal para identificação é a cauda com membrana grudada nas patinhas (característica principal da família Molossidae).
Cauda de Tadarida brasiliensis (Chiroptera, Molossidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Como outros morcegos, a asa é membranosa e possui cinco dedos, sendo que um deles, o polegar, é pequeno e utilizado para auxiliar na locomoção dentro de cavernas, agarrando as pedras, ou pelo chão, para dar impulso. Em determinada época do ano, mais precisamente no inverno, juntam-se e voam em grandes migrações para regiões mais quentes, retornando no verão seguinte.
Detalhe da asa de Tadarida brasiliensis (Chiroptera, Molossidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.

    As patinhas traseiras também possuem cinco dedos e unhas fortes, feitas para agarrar nas pedras e em galhos. Como outros morcegos, é uma espécie que dorme dependurada, de cabeça para baixo, e em grandes grupos.

Detalhe da pata de Tadarida brasiliensis (Chiroptera, Molossidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul
    As orelhas são grandes, pois estes animais utilizam-se da ecolocalização enquanto voam. Como dito anteriormente, eles não são cegos, mas necessitam emitir um som em ondas que, ao tocar no alimento (por exemplo, uma mariposa em pleno voo), retorna quase no mesmo instante e é captada pelas orelhas. Desde modo, o morcego sabe exatamente onde está a sua presa e pode se alimentar.
Tadarida brasiliensis (Chiroptera, Molossidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Encontrei esse pequenino paradinho do lado de fora da minha casa no começo do ano de 2013. Era um macho e estava muito fraquinho, mal se movia. Levei ao Hospital Veterinário da Universidade de Passo Fundo onde ficou em tratamento por uma semana feito pelo Grupo de Estudos de Animais Silvestres (GEAS), mas acabou vindo a óbito. A veterinária Michelli Ataide disse suspeitar que ele estivesse contaminado por produtos químicos utilizados para matar insetos ou espantar os morcegos de dentro das casas.
    Isso é, realmente, muito triste e decepcionante. Como sempre, os humanos, visando o próprio conforto, se enchem de repelentes, colocam naftalinas dentro de casa, e se drogam com os agrotóxicos presentes nos alimentos. E quem mais sofre com tudo isso é a fauna e a flora, que nada tem a ver com nossos caprichos, mas que pagam o preço no final.
Tadarida brasiliensis (Chiroptera, Molossidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.