Alouatta guariba (Humboldt, 1812) - Bugio-ruivo

Macho degustando de coquinhos.
Data: 03/07/2016.
     O bugio é um primata de porte médio, atingindo de 4 a 7 kg, e que apresenta alto dimorfismo sexual. Os machos são de tom arruivado, com uma grande barba. As fêmeas são de cor castanho-escura, no entanto, fêmeas mais velhas podem assumir um tom acobreado. Sinônimo de Alouatta clamitans, que, na verdade, é atualmente considerado subespécie de Alouatta guariba

Casal adulto (macho à esquerda e fêmea à direita).
Data: 03/07/2016.
     A espécie compõe bandos de um macho e diversas fêmeas, em relacionamento poligâmico. Cada bando tem seu território, o qual defende avidamente. Uma característica interessante destes animais é o osso hióide localizado no pescoço, logo à frente da traqueia. Este osso não se conecta com o esqueleto e é oco, funcionando como um amplificador de voz. Desta forma, o som do bugio (chamado de "ronco") pode ser ouvido há uma grande distância. O ronco é utilizado para comunicação entre membros do bando, para atrair fêmeas e para disputar por território e por fêmeas.
     Atingem a maturidade sexual em torno dos quatro ou cinco anos de idade. A fêmea dá à luz a um filhote por vez, raramente nascendo gêmeos. Ao nascer, o filhote agarra-se ao ventre da mãe, onde fica durante alguns meses, nutrindo-se apenas do leite materno. Após, ele passa a agarrar-se nas costas da mãe, e começa a ingerir o que ela come: folhas, alguns invertebrados e frutos. O período reprodutivo é nos meses de inverno e há um intervalo de cerca de dois anos entre uma gestação e outra.

Mãe com filhote muito jovem agarrado ao seu ventre.
Data: 02/07/2016.
Mãe com filhote já mais velho agarrado ao seu dorso.
Data: 02/07/2016.
Filhote já independente.
Data: 03/07/2016.

Macho comendo coquinhos.
Data: 03/07/2016.

     Esta espécie está intimamente ligada com a Mata Atlântica, ocorrendo em áreas bem preservadas desde o centro do Rio Grande do Sul até a Bahia. Em alguns pontos de Porto Alegre, pode aparecer também em zonas urbanas, onde sofre grandes ameaças. Os animais podem ser eletrocutados em fios telefônicos, serem atacados por cães e também por moradores, sofrerem com o tráfico de animais silvestres, com a ingestão de objetos ou de comidas envenenadas e especialmente com atropelamentos nas rodovias, quando são obrigados a caminhar pelo solo para ir de um fragmento de floresta até o outro. 
     A espécie é considerada não-ameaçada no mundo (IUCN, 2017), porém, está em categoria vulnerável no Rio Grande do Sul (FZB, 2014).

Macho sob fios de alta tensão em zona urbana de POA-RS.
Data: 03/07/2016.
FEBRE AMARELA

     É importantíssimo salientar que os macacos são uma das principais vítimas da febre amarela e que NÃO SÃO RESPONSÁVEIS PELA TRANSMISSÃO DA DOENÇA. A febre amarela é causada pelo vírus Flavivirus febricis transmitido por um mosquito infectado, especialmente os do gênero Haemagogus spp e Sabethes spp, mas também sendo transmitido pelo Aedes aegypti. Este vírus tem origem Africana, e não afeta de modo tão avassalador os primatas africanos. No entanto, os primatas das Américas não evoluíram em contato com este vírus, de modo que não apresentam nenhuma defesa imunológica contra ele, o que resulta na morte do indivíduo e na dizimação de populações inteiras. 
     Os primeiros a sofrerem com esta doença são os primatas, que apresentam, entre outros, sintomas de apatia e falta e apetite, seguido de morte. O surgimento de primatas mortos pela doença, é o primeiro e mais importante alerta sobre o início da infestação do vírus, porém, em surtos de febre amarela, é comum a população desinformada sacrificar estes animais por achar que estes são transmissores, resultando em mais uma grande ameaça e perda para a biodiversidade e conservação da espécie.
     Ajude a lutar contra mais esta doença transmitida por mosquitos! Não mantenha reservatórios de água em casa ou entulhos! Cobre de sua prefeitura maior vigilância sanitária e maior fiscalização em pontos prováveis de reprodução de mosquitos! Seja você a diferença!
Autor: desconhecido (essa arte é sua? Me informe!).

Saiba mais sobre o Projeto Macacos Urbanos, que atua em 
Porto Alegre para a preservação da espécie!

Fontes:

Dr. Drauzio Varella. 2017. Febre Amarela. Disponível em: <https://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/febre-amarela/> Acesso em: 31/05/2017.

FZB. 2014. Lista das espécies da fauna silvestre ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul por categoria de ameaça. Disponível em: <http://www.fzb.rs.gov.br/upload/1396361250_lista_categoria.pdf> Acesso em: 31/05/2017.

ICMBIO. Mamíferos - Alouatta guariba guariba - bugio marrom. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7182-mamiferos-alouatta-guariba-guariba-bugio-marrom> Acesso em: 31/05/2017.

IUCN. 2017. Alouatta guariba. Disponível em: <http://www.iucnredlist.org/details/39916/0> Acesso em: 31/05/2017.

Philodryas patagoniensis (Girard, 1858) - Cobra-palheira


Data: 12/03/2017
Local: Tramandaí, RS
    Serpente comum, de hábitos terrícolas, encontrada em toda a América do Sul, do nordeste do Brasil até o Uruguai. Habita áreas de campo aberto, capoeirais e borda de mata, onde alimenta-se de pequenos animais, praticando até mesmo o canibalismo.

Jovem realizando muda de pele. Data: 11/03/2017
Local: Cidreira, RS.
    A espécie é exclusivamente diurna, e seu pico de atividade nos meses frios é no período mais quente do dia, enquanto que em meses quentes a atividade maior é nos períodos da manhã e final da tarde. É uma espécie ovípara (reproduz-se através da postura de ovos), pondo de sete a 20 ovos nos meses entre novembro e janeiro. Como outras serpentes, durante a muda de pele, o indivíduo fica cego e vulnerável, isto devido à liberação de líquidos para a troca da pele antiga para a nova.

Indivíduo resgatado em uma residência. Data: 21/01/2017
Local: Getúlio Vargas, RS.
   É uma espécie considerada não-peçonhenta para seres humanos, de presas opistóglifas (voltadas para trás), o que dificulta a inoculação do veneno (fatal para pequenos animais). Apesar disso, alguns casos de acidentes com a peçonha de serpentes deste gênero (Philodryas spp,) já foram registrados. Igualmente, infecções bacterianas podem surgir após a mordida, devido à flora de microorganismos na boca do animal. Não é muito agressiva, mas pode tentar atacar se acuada. O ideal é não manipular serpentes se não tiver conhecimento da espécie.

Fontes:


BORGES-MARTINS, M.; ALVES, M.L.M.; ARAUJO, M.L. de; OLIVEIRA, R.B. de & ANÉS, A.C. 2007. Répteis p. 292-315. In: BECKER, F.G.; R.A. RAMOS & L.A. MOURA (orgs.) Biodiversidade: Regiões da Lagoa do Casamento e dos Butiazais de Tapes, Planície Costeira do Rio Grande do Sul. Ministério do Meio Ambiente, Brasília. 385 p.


Chlorida costata (Audinet-Serville, 1834) - Besouro-serrador

Data:01/09/2015
Mato Castelhano, Rio Grande do Sul.
    Besouro de cerca de 10 cm encontrado no Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina. Caracterizado pelo élitro verde com riscas amareladas nas laterais e pelas longas antenas intercaladas de amarelo e preto. Ainda o élitro apresenta pontas.

Dione juno (Stoll, 1782) - Lagarta-do-maracujazeiro

Data: 01/07/2015
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Borboleta comumente encontrada em jardins. Possui características bem semelhantes à Dryas iulia (borboleta Júlia) na parte dorsal das asas, entretanto, é fácil de diferenciar por ser de tamanho corporal menor e seu padrão de riscas serem diferentes, assim como o rendado.

Data: 09/03/2013
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
Detalhes da cabeça. Data: 02/06/2013
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
      Também é semelhante à Agraulis vanillae (pingos-de-prata) no lado ventral do segundo par de asas, diferenciando-se desta basicamente pelo tamanho das manchas. Também facilita a diferenciação observar a coloração negra das patas e cabeça, que em A. vanillae são alaranjadas.
   Seu nome comum vem da preferência da espécie por fazer a postura dos ovos na planta de maracujá. Diferentemente da postura de A. vanillae, em que cada ovo é colocado isoladamente em folhas diferentes, a D. juno realiza posturas agrupadas. Os ovos tem formato ovalado e apresentam saliências em todo seu contorno. Em questão de dias eles alteram sua cor e as lagartas nascem, também ficando sempre agrupadas. Elas são bem características devido ao seu hábito e coloração roxa com manchas laranjas, além das cerdas urticantes. Alimentam-se das folhas e ápices caulinares do maracujazeiro, podendo ser consideradas pragas quando muito numerosas.

Data: 31/01/2015
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
Data: 05/02/2015
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.

Lagartas agrupadas em maracujazeiro. Data: 24/01/2013
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.

Cacicus haemorrhous (Linaeus, 1766) - Guaxe

Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Ave grande, com quase 30 cm, e muito chamativa, tanto pelas suas cores quanto pelo seu som trincado e, em algumas notas, parecido com um grito de criança.
Som 1 gravado em Getúlio Vargas
Som 2 gravado em Getúlio Vargas
 
Cacicus haemorrhous macho (Passeriformes, Icteridae) cantando
Derrubadas, Rio Grande do Sul.
    O adulto possui os olhos azul-celeste, penas e pernas escuras quase negras, costas vermelhas e bico amarelo forte. O jovem possui as penas mais foscas e os olhos castanhos. Não há diferença entre os sexos, mas, quando ambos estão juntos, pode-se notar que a fêmea é mais clara e menor do que o macho.

Casal de Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae) em corte
Derrubadas, Rio Grande do Sul.
    A corte é, como em outros grupos de aves, feita pelo macho. Eles posicionam-se próximos a fêmea, que, a princípio, os ignora, e iniciam o cortejo. Entre arrumações de penas com o bico e sacudidas no corpo, ele ergue-se e eriça as penas enquanto vocaliza, tudo para mostrar ser o melhor macho. Se ela não aceitá-lo, irá embora, mas ele poderá tentar conquistá-la novamente.

Casal de Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae) em corteDerrubadas, Rio Grande do Sul.

     Estas aves vivem em sociedade, com vários casais construindo grandes ninhais em árvores selecionadas por eles. Constroem seus ninhos com folhas e galhos retirados de outra árvore que não a utilizada pelo grupo, para evitar que a mesma morra. O ninho é em formato de bolsa e individual de cada casal, comportando até dois filhotes, mas muitos deles são mantidos vazios para enganar predadores como tucanos e rapinantes.

Fêmea de Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae) coletando material para ninho
Derrubadas, Rio Grande do Sul.

Ninhal de Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae)
Derrubadas, Rio Grande do Sul.
Adulto de Cacicus haemorrhnous (Passeriformes, Icteridae) no ninho
Derrubadas, Rio Grande do Sul.
Filhote de Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae) no ninho
Derrubadas, Rio Grande do Sul.
    A alimentação é variada, tanto de frutas (gostam muito de abacate) quanto de insetos que eles buscam por baixo das cascas soltas das árvores (chama-se "ritidoma").

Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae) comendo abacate
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae) comendo abacate
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.

Cacicus haemorrhous (Passeriformes, Icteridae) procurando comida na madeira
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.

Diaethria clymena (Cramer, 1775) - Borboleta Oitenta e Oito

Data: 20/11/2014
Derrubadas, Rio Grande do Sul.
    Mesmo possuindo as mesmas cores e padrão riscado, difere-se da Diaethria candrena (borboleta 80) por vários motivos: o número que aparece no lado ventral de suas asas possui contorno em branco e esta também possui a linha vermelha mais forte. No lado dorsal das suas asas, a coloração é negra com tons de azul.  O segundo par de asas possui uma risca horizontal fina azul-clara enquanto que o primeiro par possui uma risca vertical grossa nos mesmos tons de azul.
Data: 28/09/2015
Mato Castelhano, Rio Grande do Sul
    Apesar do nome comum, ambas as espécies podem apresentar os números 80, 88, 00 ou 08 nas asas, isto porque a coloração das nervuras varia conforme o indivíduo.

Rhinella icterica (Spix, 1824) - Sapo-cururu

    Chegou a vez deles: hora de desmistificar os sapos!
    Caracterizando um sapo: sapo é todo o anfíbio anuro que não possui discos adesivos nas pontas dos dedos (só quem possui é a perereca) e nem membranas interdigitais (entre os dedos, que somente as rãs possuem). Outra característica marcante são as muitas verrugas na pele e as duas glândulas paratóides, grandes, na lateral da cabeça. Sobre o hábito, geralmente, sapos são animais terrestres, enquanto rãs e pererecas são aquáticas e arborícolas. Sendo um sapo, o Rhinella icterica possui diversas verrugas, cada uma delas com potencial de liberar o muco contendo a toxina.
Rhinella icterica macho (Anura, Bufonidae)
Data: 04/09/2013
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    O sapo-cururu talvez seja o maior anfíbio nativo da região. É um sapo deveras comum de se encontrar dentro das cidades e casas, especialmente em dias de chuva. Como todo o anfíbio anuro, eles amam umidade, pois sua pele sensível deve estar sempre umedecida, para evitar ressecamento. E, infelizmente, também é o sapo que mais sofre pela ação humana. 
    Quem nunca ouviu a frase "não toca ou ele vai fazer xixi nos seus olhos!"?
    Obviamente, este é mais um mito errôneo que o ser humano inventou sobre um animal pacífico. Na verdade, eles só irão liberar o muco tóxico se estressados, e apenas pelas glândulas de sua pele (vide foto acima, o veneno é aquele muco branco saindo da maior glândula que eles tem, a paratóide), não pela urina. Além de tudo, este veneno é leve, não fazendo mal aos seres humanos ou animais domésticos. Algumas pessoas, porém, apresentam irritação na pele após entrar em contato, mas esta é a única reação.
Rhinella icterica macho (Anura, Bufonidae)
Data: 04/09/2013
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Esta espécie tem um grande dimorfismo sexual. O macho é bem menor do que a fêmea, com cerca de 13cm. Também é completamente diferente na coloração, sendo todo castanho-alaranjado, sem manchas características. Como todo o anfíbio, o macho é o responsável pela vocalização. Ele possui um saco vocal na garganta, que se infla com a entrada do ar e reproduz o som, que pode variar conforme a utilidade do mesmo, podendo ser um som para acasalamento, alerta ou disputas com outros machos.
    Já a fêmea é bem maior, com cerca de 18cm. É toda manchada de preto, branco, cinza e castanho. Ela precisa ser maior para comportar os ovos dentro do corpo durante o período da reprodução.
Rhinella icterica fêmea (Anura, Bufonidae)
Data: 10/10/2014
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Apesar de todo o ódio que os humanos lançam a este animal, ele é muito útil para nós. É insetívoro, alimentando-se dos insetos na grama. Também alimenta-se de lesmas e caramujos, pragas em hortas. 
    Deste modo, ao ver um sapo, não jogue sal nele ou o bata com uma vassoura. Se ele entrar em sua casa, você pode, se quiser, pegá-lo nas mãos (é uma experiência única!) sem problemas, pois ele não lhe fará mal algum, e levá-lo para fora. 

Rothschildia aurota (Cramer, 1775) - Mariposa do espelho

Data: 01/10/2014
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
Data: 01/10/2014
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Grande e magnífica mariposa nativa, com envergadura de 13 a 16cm. Ventral e dorsalmente, as cores são, basicamente, em tons castanho-avermelhado, as asas sendo pontuadas na margem por círculos amarelo-queimado e com a borda salpicada de cor-de-rosa. Em ambos os pares há triângulos transparentes. Lateralmente, o abdome é listrado de branco com manchas castanhas. 
    Como todo membro da família Saturniidae, o macho possui antenas vistosas (pectinada ou bipectinada, ou seja, com "pelos" em ambos os lados), enquanto que as fêmeas possuem as antenas lisas.
    A espécie é passível de confusão com Rothschildia jacobaeae, também nativa, e que diferencia-se principalmente por possuir as áreas transparentes triangulares maiores no segundo par de asas.

Grammostola longimana (Mello-Leitão, 1921) - Caranguejeira ou Tarântula

    Grande, escura, coberta de pelos, cheia de patas e ameaçadora. É a descrição mental que todos têm ao pensar no nome "caranguejeira" ou  "tarântula". E ela é, sim, tudo isso, exceto pela ultima parte.
    Apesar de todo o tamanho, de ameaçadora ela não tem nada, e chegou a hora de desmistificar estes animais. 
    O ser humano tem o grave defeito de temer (e, infelizmente, matar) tudo aquilo que não conhece. Deste modo, trago aqui informações suficientes para tentar melhorar o convívio do ser humano com estes animais.
Data: 27/11/2012 (Araneae, Theraphosidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Primeira coisa que todos devem ter em mente: nenhuma aranha no mundo irá correr atrás de um humano tentando matá-lo. Como qualquer animal, ela só irá picar quando sentir-se ameaçada e não tiver mais nenhum outro modo de se defender. Então, não é preciso pânico quando uma aranha entrar em casa. Apenas espere que ela irá seguir seu caminho sozinha. Ou você pode gentilmente colocá-la para fora utilizando um pedaço de papel.
    A segunda coisa é que, contrário a todos os mitos que se espalham pelo mundo, as caranguejeiras não possuem veneno tóxico o suficiente para afetar a saúde de um animal de grande porte, como gatos, cachorros e humanos. O veneno que elas possuem tem potencial para matar apenas as suas presas, que são insetos, outras aranhas e até mesmo pequenos filhotes de roedores. 
    Deste modo, ter uma aranha dessas em locais onde há infestação de ratos pode ser muito mais eficiente do que qualquer pesticida, pois será um controle natural que não poluirá o meio ambiente!
    As presas de todas as aranhas se chamam quelíceras, e é através delas que a peçonha flui para o interior da presa. Apesar do veneno das tarântulas não fazer mal algum aos seres humanos, logicamente ter a pele perfurada pelas quelíceras deixará um machucado no local.
Quelíceras.
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    A maior defesa das caranguejeiras está justamente em seus pelos urticantes. Ao se sentir ameaçada, ela posiciona as patas traseiras em cima do abdome e esfrega-o, jogando os pelos no corpo do predador. Eles são muito finos e causam grande irritação na pele de quem os toca, podendo causar vermelhidão e muita coceira.
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    A maioria das aranhas, incluindo as caranguejeiras, utilizam-se das fiandeiras - duas estruturas localizadas no final do abdome - para secretar fios de seda grudentos através de glândulas na ponta das mesmas. As teias são utilizadas como armadilhas para a captura de suas presas. Ao notar a movimentação da presa através dos finos fios da teia, a aranha saberá que capturou algo e poderá se alimentar.
Fiandeiras.
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    A ponta de suas patas possuem pequenas unhas que as auxiliam a escalar superfícies lisas. Caranguejeiras habitam tocas que cavam embaixo de pedras, troncos e galhos secos. Também é lá que elas se escondem enquanto aguardam a presa cair na teia. Com as patas dianteiras, elas retiram a terra de dentro do buraco e jogam-na para trás. Os ninhos são muito bem feitos, e recebem acabamentos com uma forração de teia.
Pata dianteira.
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Aranhas fêmeas possuem o abdome maior, para abrigarem os ovos durante o período reprodutivo, assim como os pedipalpos finos (duas estruturas na frente da cabeça, parecidas com pequenas pernas). Já os machos, caracterizam-se por abdome pequeno e pedipalpos com bulbos copulatórios.
Pedipalpos com bulbo copulatório.
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    No caso das caranguejeiras, os machos apresentam, ainda, um par de ganchos nas duas pernas anteriores. Eles os utilizam para agarrar a fêmea após a cópula, evitando serem mortos e devorados por elas.
Ganchos na perna dianteira
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Por ser um aracnídeo extremamente pacífico, muitas pessoas no mundo escolhem as caranguejeiras como companheiro de estimação. Logicamente, como qualquer outro animal silvestre, é preciso obter permissão de órgãos responsáveis e adquiri-los em criadouros legalizados. Além de tudo, são sensíveis ao ambiente, necessitando de condições estáveis, aquários grandes o suficiente para que possam viver sem estresse, bem como ter a alimentação adequada, evitando qualquer complicação por falta de nutrientes.
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    No projeto de Biodiversidade na Escola promovido pelos alunos e professores do curso de Ciências Biológicas bacharelado e licenciatura plena da Universidade de Passo Fundo, buscamos mostrar aos estudantes e seus professores a importância de conhecer e preservar a fauna nativa. Apesar da gritaria, todos ficaram muito impressionados em saber que uma aranha grande daquele tamanho não representava perigo algum a eles.
Projeto Biodiversidade na Escola levando o conhecimento às crianças e jovens da região
Água Santa, Rio Grande do Sul.
    A caranguejeira das fotos anteriores, exceto a em minhas mãos durante o projeto, foi capturada dentro da casa de uma colega de faculdade, que, gentilmente, a cedeu a mim. Não gosto de manter animais trancafiados, fora de seus habitats naturais, portanto, no dia seguinte, após as fotos, ele foi libertado.
Soltura.
Data: 27/11/2012
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Da próxima vez que se deparar com uma aranha, lembre-se de todo o bem que ela faz e que você nem percebe, como alimentar-se dos pernilongos que tanto infernizam durante as noites de verão.
    Antes de tomar qualquer atitude primitiva, lembre-se de que elas têm mais medo de nós do que nós temos delas. É possível conviver em harmonia!

Pachycoris torridus (Percevejo-do-pinhão-bravo)

    Apesar de parecer um besouro, trata-se de um percevejo. Esta espécie distribui-se por todo o continente americano, e já foi catalogada cientificamente oito vezes devido aos diferentes padrões de seu corpo que confundiam os cientistas. Este inseto varia em tons do escutelo (parte de cima do corpo), cores e número de manchas. Mas, apesar de toda a diferença, a espécie presente na América do Sul é uma só, e a cor marrom com manchas vermelhas é a predominante.
Pachycoris torridus de padrão marrom com vermelho (Hemiptera, Scutelleridae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    É mais comumente avistada no verão, quando é considerada uma grande praga de diversas culturas humanas, tais quais a de eucalipto, laranja, araçá, goiaba, pinhão-manso, caju e acerola. Como todos os hemípteros, possuem aparelho bucal picador-sugador, usando-o para sugar a seiva de dentro dos frutos e caules, podendo transmitir doenças para a planta ou causar abortamento do órgão vegetal por esgotamento dos seus nutrientes. Porém, só são realmente danosos se atacarem a planta em uma grande quantidade de indivíduos, então não há a necessidade de matar o animal assim que o vir.
Pachycoris torridus de padrão verde com amarelo (Hemiptera, Scutelleridae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
  • GABRIEL, Dalva; FRANCO, Daniel Andrade de Siqueira. 2012. Aspectos biológicos e morfológicos de Pachycoris torridus Scopoli, 1772 (Hemiptera: Scutelleridae) criados com pinhão-manso Jatropha curcas L., 1753, em laboratório. Disponível em:  <http://www.cientifica.org.br/index.php/cientifica/article/view/343/222>. Acesso em: 29, ago 2014.

Cavia aperea (Preá)

Cavia aperea comendo grama (Rodentia, Caviidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Nativo, o preá é um roedor bastante encontrado nas matas e também em propriedades rurais ou urbanas afastadas. É da mesma família do porquinho-da-índia (Cavia porcellus), caracterizando-se pela pelagem castanha com um círculo de pelos brancos ao redor dos olhos. Mede cerca de 25cm, alimenta-se de plantas (herbívoro).
Cavia aperea (Rodentia, Cavidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    Na teia alimentar, é presa de aves rapinantes, serpentes, lagartos, graxains e felídeos selvagens, podendo também virar caça de cães e gatos domésticos (grande ameaça ambiental a qualquer animal silvestre).
Cavia aperea (Rodentia, Caviidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.
    São animais tímidos, fugindo ao primeiro sinal de movimentação. Porém, com paciência e silêncio, é possível admirá-los em ambiente natural. Abaixo, um vídeo que fiz de um preá que encontrei na Universidade de Passo Fundo.
Cavia aperea comendo grama (Rodentia, Caviidae)
Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

Troglodytes musculus (Corruíra)

Troglodytes musculus (Passeriformes, Troglodytidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    A corruíra (ou curruíra) é uma avezinha pequenina que adora estar por entre galhos secos e outros locais escondidos. Comum em casas, é uma ave de campo aberto, muito rara em matas fechadas. Tem coloração castanha, lisa no peito e rajada nas asas e cauda. Alimentam-se, basicamente, de artrópodes que encontram por entre as galharias e folhagens.

Troglodytes musculus (Passeriformes, Troglodytidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    O macho não difere da fêmea, sendo ambos de mesmo tamanho e coloração. Nidificam em qualquer tipo de cavidade que acharem adequada, tendo cerca de 3 filhotes por ninhada. Na época de reprodução, macho e fêmea cantam juntos, mas no restante do tempo, vivem sozinhos.

Troglodytes musculus (Passeriformes, Troglodytidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
    Curiosamente, li em uma revista de ornitologia um relato desta ave predando ovos de sabiá-barranco (Turdus leucomelas). A explicação encontrada foi a de eliminação de competidores, já que ela, aparentemente, não se alimentou dos ovos após retirá-los do ninho.
    Abaixo, um vídeo que gravei do canto da corruíra e três links de sons diversos que gravei na cidade.

 Troglodytes musculus cantando (Passeriformes, Troglodytidae)
Getúlio Vargas, Rio Grande do Sul.
Som 1 gravado em Getúlio Vargas
Som 2 gravado em Getúlio Vargas
Som 3 gravado em Getúlio Vargas